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Telexfree quer quebrar contrato com divulgadores. Milhões de pessoas ao redor do mundo poderão ser prejudicados.

A Telexfree pediu à Justiça americana para cancelar contratos com seus divulgadores, como são chamadas as centenas de milhares de pessoas que investiram no negócio. A empresa indica ainda que se recusará a pagar "muitas das cobranças" que eles têm feito, segundo documentos consultados pela reportagem.
Na terça-feira (15), uma investigação americana concluiu que a Telexfree é uma pirâmide financeira bilionária, criada nos Estados Unidos e desenvolvida no Brasil. Às vésperas de a acusação ser divulgada, os donos do grupo foram à Justiça em Las Vegas pedir recuperação judicial. 
Antes mesmo que a recuperação seja julgada, a empresa busca obter autorização para rejeitar "certos contratos executivos" firmados com os promotores, segundo documentos disponibilizados por um dos escritórios contratados pela empresa.
A rescisão, se aceita pela Justiça, abrangerá contratos firmados antes e depois de 9 de março de 2014, quando a empresa mudou a forma de remuneração aos divulgadores, conhecida como plano de compensação.
Contratos "não atendem às necessidades" do grupo
A Telexfree argumenta que os contratos firmados tanto sob o plano de compensação original, cancelado em 9 de março, como sob o plano de compensação revisto “não atendem às necessidades” do grupo.
Segundo a empresa muitas das cobranças feitas por divulgadores que entraram no plano de compensação original são “inválidas”. Já as cobranças decorrentes do plano revisto impediriam o negócio de sobreviver.
Por esse motivo, a Telexfree informou que buscará identificar quais são o que chama de “cobranças legítimas” – até agora, algo que segue desconhecido para a própria empresa, segundo os documentos.
“Uma vez que as cobranças legítimas tenham sido quantificadas e a companhia tenha desenvolvido um novo programa de compensação, os Devedores [a Telexfree] esperam se reorganizar e honrar as cobranças”, diz o documento.
Depoimento: "Hoje sou uma vítima da Telexfree", diz maior divulgador da empresa
Como a Telexfree pediu que esse cancelamento seja publicado na imprensa americana e também no Diário Oficial da União, é possível que os contratos de residentes no Brasil  também sejam afetados.
A empresa, entretanto, afirma nos documentos ter 700 mil divulgadores no mundo, enquanto o Ministério Público do Acre estima que apenas no Brasil eles cheguem a 1 milhão.
A análise dos pedidos feitos pela empresa começa nesta quinta-feira (17). Procurados, os representantes da Telexfree não responderam ao contato.
Dívidas anteriores poderiam não ser afetadas, diz especialista
Para Jeff Kitaeff, advogado especialista em direito do consumidor e recuperações judiciais, a rejeição dos contratos poderia não afetar os créditos a que os divulgadores já tinham direito antes do pedido de recuperação ser feito no último domingo (13).
“O pedido é para rejeitar os contratos desde o pedido de recuperação para a frente, e não para o passado”, afirma Kitaeff. “[Mas] é muito importante ver o que diz o contrato [firmado entre o divulgador e a Telexfree].”
O advogado afirma acreditar, ainda, que o processo de recuperação judicial da Telexfree deverá afetar os pagamentos aos divulgadores e que, se eles forem considerados, de fato, como investidores, terão uma prioridade menor num eventual pagamento.

Fonte: Tribuna da Bahia
PF prende quadrilha que desviou R$ 73 milhões da Mega Sena. CEF informou ter sido a maior fraude já ocorrida em toda história da instituição.


Operação da Polícia Federal (PF) deflagrada neste sábado, 18, em três Estados desarticulou uma quadrilha que teria desviado R$ 73 milhões da Mega-Sena, jogo de loteria da Caixa Econômica Federal. O banco relatou à PF que se trata da maior fraude já sofrida em toda sua história.

Segundo a polícia, os envolvidos forjavam um bilhete da Mega-Sena com os números sorteados. Depois, abriam uma conta em nome de um ganhador fictício, com o aval de um gerente da Caixa da agência de Tocantinópolis (TO). Em seguida, o dinheiro era transferido para diversas contas.

Um dos envolvidos, segundo o Estado apurou, é o suplente de deputado federal Ernesto Vieira Carvalho Neto, que disputou a vaga em 2010 pelo PMDB do Maranhão na chapa da governadora Roseana Sarney (PMDB).

Segundo os investigadores, ele teria comprado um avião com o dinheiro desviado da Caixa e teria a intenção de usá-lo numa fuga. Até a manhã de sábado, a PF não havia localizado o suplente para cumprir o mandado de prisão expedido contra ele e outras quatro pessoas, que não tiveram o nome revelado. Nenhuma delas foi presa.

Conforme relatos, houve até perseguição em alguns locais com pistas falsas sobre o paradeiro dos envolvidos. A Justiça também autorizou o cumprimento de dez mandados de busca e apreensão e um mandado de condução coercitiva (quando a pessoa é levada a prestar depoimento e liberada em seguida) nos Estados de Goiás, Maranhão e São Paulo.

Já foram recuperados 70% dos valores desviados, informou a PF. O gerente da agência onde a conta foi aberta foi preso antes da operação batizada de Éskhara (que significa crosta deferida, casca) ser deflagrada. A PF não informou se ele colaborou com a investigação.

Os envolvidos responderão pelos crimes de peculato, receptação majorada, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, cujas penas somadas podem chegar a 29 anos de prisão.

A PF informou que as investigações prosseguem porque há outros possíveis fraudadores. A PF, que trabalhou em parceria com o Ministério Público do Tocantins, não tinha a intenção de deflagrar a operação no sábado, mas antecipou pra evitar vazamento de informação.

A Caixa divulgou nota na qual informa que foi o banco quem comunicou à PF sobre a fraude. "A Caixa Econômica Federal informa que acionou a polícia logo que constatou a fraude. O banco continua acompanhando o caso e está à disposição da PF." A operação da PF ocorre no momento em que a Caixa tenta abafar uma crise, após a revelação pela revista IstoÉ de que se apropriou de R$ 719 milhões de saldos de contas bancárias de clientes que foram encerradas por iniciativa do banco.


Fonte: Estadão
Comissão de direitos humanos recebe documentos contendo denúncia sobre o bloqueio da empresa Telexfree das mão de divulgador que protestava por justiça.


A vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, deputada federal Antônia Lúcia Câmara (PSC-AC), recebeu na noite desta quinta-feira dos divulgadores da Telexfree um documento contendo denúncia sobre o bloqueio da empresa.


O documento foi entregue em frente à sede do MP/AC, pelo catarinense Aerci Arreal, divulgador da Telexfree que se acorrentou e fez greve de fome em frente ao órgão pedindo a liberação da empresa. Ao lado de outros divulgadores, Aerci Arreal leu a denúncia assinada por ele e outros filiados da Telexfree e entregou-a a parlamentar, que se comprometeu em fazer uma reunião extraordinária na Câmara dos Deputados para denunciar o que ela considera uma “injustiça contra milhões de brasileiros”. A deputada do PSC disse, ao receber o documento, que irá “requerer o processo que tramita no Estado para a Procuradoria Geral da República”.
“Eu já falei com o presidente da Comissão na Câmara, deputado Marco Feliciano. Vamos convocar uma reunião extraordinária da Comissão. Vamos chamar um ato na Câmara Federal para convocar a população que está atingida por essas medidas que ocorreram especificamente aqui no nosso estado. Também já protocolo nesta sexta-feira um pedido ao procurador-geral da República que requeira esta causa do estado do Acre porque envolve mais de um milhão de pessoas em todo país e é injusto o Ministério Público do Estado do Acre querer tomar a frente de toda uma nação. Se for o caso vamos convidar os divulgadores até o procurador-geral da República. Vamos tentar remeter o caso para esfera federal”.
A deputada se sensibilizou com o Aerci Arreal, que durante dois dias ficou acorrentado e fez greve de fome pedindo a liberação do dinheiro dos divulgadores e a volta da empresa.
“É uma atitude vergonhosa e eu quero pedir desculpas a mais de um milhão de divulgadores. Essa empresa tem legitimidade no Estado Unidos e os Estados Unidos tem a Justiça mais próxima do que é justiça. Vamos estar lutando para que o dinheiro das pessoas seja devolvido ou até mesmo para que a empresa volte a funcionar porque não tem nada que prove que ela seja uma empresa ilegal”, acrescentou.
A Telexfree foi bloqueada em junho do ano passado após denúncia do MPE de prática de pirâmide financeira acatada pela Justiça do Acre.
Aerci Arreal que foi recebido na noite desta quinta-feira pelo procurador-geral do MP/AC, Oswaldo D’Albuquerque, decidiu após a reunião no Ministério Público se desacorrentar e deixar a greve fome.
Fonte: Acre 24Hs
Mais uma empresa suspeita de pirâmide financeira no país, tem vários registros no site Reclame Aqui .

Investigada pelo Ministério Público de Minas Gerais por suspeita de ser uma pirâmide financeira, a empresa NNex acumula reclamações de centenas de investidores por falta de pagamento, pagamentos mais de 50% abaixo do combinado e dificuldades de comunicação. As duas últimas semanas concentram mais da metade das queixas contra a empresa no conhecido site Reclame Aqui, 266 de um total de 445. A NNex confirma os problemas, mas atribui os atrasos a uma “migração bancária” e os pagamentos, na verdade, antes estariam “supervalorizados” porque são atrelados ao faturamento da empresa, que teria caído após a “crise no setor”.
A investigação sobre a empresa começou no Rio Grande do Norte, mas passou para o MP de Minas Gerais, que informou ao JC manter o caso sob sigilo.
Entre os insatisfeitos com a NNex no Reclame Aqui estão investidores do Recife, Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes, Santa Cruz do Capibaribe e Petrolina. Pedindo anonimato, um investidor topou comentar o assunto. Ele teme ficar sem receber, caso fale abertamente do caso.
O investidor conta que o negócio tem um funcionamento muito similar à Telexfree, no epicentro da atual polêmica sobre supostas pirâmides no País. A NNex cobra uma adesão de R$ 600 a R$ 2.890 e exige postagens diárias de anúncios em sites específicos. Os investidores são pagos por por e-Vouchers, algo como “vales” virtuais que, no início, eram trocados cada um por R$ 42.
“O problema é que eles começaram a atrasar. Passei 20 dias esperando o pagamento. Quando chegou, cada um dos cinco e-Vouchers que eu recebia não valia mais R$ 42 e sim R$ 15. Ou seja, eu ganhava R$ 200 por semana e agora vou receber R$ 15. Em quanto tempo vou recuperar os R$ 2.890 que investi? Ainda tenho R$ 1 mil para recuperar o dinheiro que coloquei”, comenta o investidor.
As queixas se multiplicam e são feitas diretamente na página da empresa em uma rede social. Os insatisfeitos acusam a empresa de ser uma pirâmide e cobram a devolução do dinheiro.
No último dia 8, já bombardeada por queixas, a empresa postou na rede social a seguinte mensagem: “seus clientes menos satisfeitos são sua maior fonte de aprendizado”. Um insatisfeito respondeu: “E que tal serem fiéis a seus divulgadores? NNex, a pior empresa que já vi na vida, além de não pagarem querem brincar com a cara de seus divulgadores”. Só ontem foram novas 22 queixas no Reclame Aqui.
A EMPRESA
A NNex minimiza os problemas. Diretor de comunicação da NNex, Harry Nicolau Johann diz que a empresa tem um índice de atendimento de 97% dos problemas, em um universo de 10 mil investidores. A empresa nega ser uma pirâmide financeira.
“A queda na remuneração do e-Voucher (leia matéria ao lado) tem relação direta com a baixa no faturamento da empresa. Eles são variáveis e relacionados ao lucro da NNex. Houve um período em que o e-Voucher estava supervalorizado, mas com a crise do setor o valor caiu”, diz Harry. Além disso, afirma, os atrasos de pagamentos teriam ocorrido por uma migração bancária, já encerrada.
O “setor” a que ele se refere é o ramo de marketing multinível, do qual a NNex diz fazer parte, como outras empresas, a exemplo de Telexfree, BBom e Priples, todas investigadas.
No site da NNex, as informações sobre sua atividade são confusas, dificultando a compreensão sobre o que ela de fato faz: “Nossas atividades principais se concentram em duas vertentes, uma é a busca por parceiros que tenham produtos de interesse de nosso público-alvo. Estes parceiros são empresas que comercializam ou distribuem serviços e produtos, digitais e físicos. A outra é gerenciar e motivar um grupo de distribuidores, que são nossos afiliados, no consumo e revenda dos produtos e serviços comercializados pelos nossos parceiros.”
O diretor esclarece por telefone: “Vendemos serviços e produtos físicos, como perfumes. Nossa renda não é somente com a captação de mais pessoas para a rede.”
A empresa apresenta como parceiras comerciais duas marcas que são do mesmo grupo, o Portal Rekomende e a Permuta Digital. A NNex era sediada em Belo Horizonte, mas mudou o endereço para Barueri, com base administrativa em Sorocaba, São Paulo.
Embora a NNex em seu site se apresente como um negócio que já estaria no mercado há 2 anos, desde o início do mês divulga uma sequência de eventos em várias cidades do País, um “Grand Opening” (“grande inauguração”, em inglês). Seriam eventos para lançar novos produtos e serviços. Mas pelo menos um evento, o de Salvador, foi cancelado pela empresa, que no site se desculpa pelo episódio.
“Eu gostaria de aproveitar o contato da reportagem para informar que de 30 a 40 dias vamos lançar novos produtos”, avisa Harry.
Os afiliados, certamente, estão na expectativa.
Fonte: Jornal do Commercio PE
Priples, mais uma pirâmide? Eu já sabia!


Foram presos, na manhã deste sábado (3), o dono da Priples, Henrique Maciel Carmo de Lima, e a esposa dele, Mirele Pacheco de Freitas, 22 anos. Os dois foram detidos na residência do casal, na Imbiribeira. No local, a polícia apreendeu cerca de US$ 300 mil em dinheiro. Eles são suspeitos de crime contra a economia popular e formação de esquema de pirâmide financeira.
O caso está sendo investigado pelo delegado Carlos Couto. Segundo ele, a operação será detalhada na próxima segunda-feira, durante entrevista coletiva. Ainda não se sabe para que delegacia o casal foi encaminhado.
A empresa pernambucana promete remuneração de 2% ao dia durante um ano ao usuário que responder perguntas de conhecimentos gerais. Sendo assim, o lucro da empresa viria do cadastramento de pessoas, o que caracteriza a formação de pirâmide financeira. A polícia recebeu queixas contra a Priples sobre o não pagamento dos rendimentos no dia previsto. Há também denúncias dos usuários por não conseguirem localizar a sede física da empresa.
Em depoimento prestado à polícia em julho, Henrique Maciel afirmou que a empresa não promete ganhos financeiros, e sim crédito de publicidade digital. Henrique afirmou ainda que quem promete pagamento em dinheiro são os usuários.
Atualizado as 15h30
Segue ainda neste sábado para o Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, o empresário Henrique Maciel Carmo de Lima, dono da empresa Priples. Preso na manhã de hoje, ele foi encaminhado para a Delegacia do Ipsep. Depois de prestar novo depoimento ao delegado Carlos Couto,  Henrique será levado para o Instituto de Medicina Legal (IML), no bairro de Santo Amaro, para realizar exame de corpo de delito.
Vestindo uma camisa azul, o empresário chegou à delegacia por volta das 11h20 acompanhado pelo delegado. Os dois entraram pela portas dos fundos. Carlos Couto, responsável pelo caso, disse que deve falar com a imprensa sobre o caso ainda hoje.
O empresário, suspeito de crime contra a economia popular e formação de esquema de pirâmide financeira, foi preso em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça. Ele e sua esposa foram detidos na residência do casal, no bairro da Imbiribeira. Mirele Pacheco, também será submetida aos exames no IML e será encaminhada para a Colônia Penal Feminina, no bairro do Engenho do Meio, no Recife.
Além dos mandados de prisão, a polícia ainda cumpriu esta manhã seis mandados de busca e apreensão. Na residência do casal foram apreendidos uma quantia não revelada em dólares e três carros de luxo, entre eles um Camaro e uma Freemont.
Priples
A empresa pernambucana promete remuneração de 2% ao dia durante um ano ao usuário que responder perguntas de conhecimentos gerais. Sendo assim, o lucro da empresa viria do cadastramento de pessoas, o que caracteriza a formação de pirâmide financeira. A polícia recebeu queixas contra a Priples sobre o não pagamento dos rendimentos no dia previsto. Há também denúncias dos usuários por não conseguirem localizar a sede física da empresa.
Em depoimento prestado à polícia em julho, Henrique Maciel afirmou que a empresa não promete ganhos financeiros, e sim crédito de publicidade digital. Henrique afirmou ainda que quem promete pagamento em dinheiro são os usuários.
Pirâmides financeiras vivem

Faz um mês e meio que um bom número de brasileiros está com ressentimento do trabalho do Ministério Público. Por ações de procuradores e promotores, 300 mil vendedores da BBom e estimados 600 mil da TelexFREE estão proibidos de receber o que as empresas lhe devem. As duas tiveram os bens bloqueados na justiça acusadas de praticar pirâmide financeira.

“No curto prazo, a pessoa leva um susto e fica com raiva. Mas assim ainda tem chance de receber o dinheiro de volta. Se esperássemos (as empresas quebrarem), não iriam receber nada”, defende a procuradora da República de Goiás, Mariane Mello.
Há 20 anos no Ministério Público, Mariane é uma das responsáveis pela ação que paralisou neste mês os serviços da Bbom, empresa de venda de rastreadores veiculares.
A procuradora integra uma força tarefa criada há menos de três meses pelo MP, a nível nacional, para dar conta de um crime que, segundo ela, encontra novos representantes a cada três dias: a pirâmide.
No momento, 30 investigações estão em andamento pelo grupo. As empresas alegam praticar marketing multinível.
Em entrevista à EXAME.com, Mariane não tem dúvidas do estrago que golpes financeiros podem trazer para milhares de pessoas.
“Para quem está em cima ganhar, os que estão embaixo – muitos - têm que perder”, atesta.
EXAME.com - O crime de pirâmide financeira está crescendo no Brasil?

Mariane Mello - Está crescendo exponencialmente por causa das redes sociais. Hoje o poder de proliferação de uma empresa dessas é impressionante. Nasce hoje e amanhã está no Brasil inteiro. A cada 3 dias, surge uma nova.

EXAME.com - E como o Ministério Público vem atuando para dar conta desse aumento?

Mariane - Nós temos uma força-tarefa criada para combater nacionalmente esse boom de pirâmide financeira. No momento, estamos investigando 30. Temos como prática só nominar as investigadas depois que entramos com o processo e conseguimos o bloqueio dos bens. Se nomeássemos antes, poderíamos frustrar os valores de bloqueio. Além disso, no curso da investigação, podemos chegar à conclusão que uma ou outra não é pirâmide. Por isso temos tomado o cuidado de só divulgar aquelas com ações em curso. No momento, existem só duas, TelexFREE e Bbom. Mas a força-tarefa está em estágio avançado e novos nomes podem ser acionados judicialmente no mês de agosto.

EXAME.com - Os vendedores das empresas bloqueadas têm feito protestos pelo país contra as decisões da justiça, pois estão sem poder trabalhar ou receber. Eles acreditam que o trabalho do MP não é a favor deles?

Mariane - O que o Ministério Público esta fazendo é proteger os consumidores. Eu acho que, no curto prazo, a pessoa leva um susto e fica com raiva. Até os recursos voltarem, vai demorar pelo menos dois anos. Mas quando a pessoa vai percebendo que entrou numa armadilha, ela muda. Ela ainda tem chance de receber o dinheiro de volta. Se esperássemos, não iriam receber nada. Quem entra no início de fato ganha dinheiro, mas esses são minoria. São eles que aparecem dirigindo Ferraris e Lamborghinis no Facebook, vendendo a ideia de que todo mundo vai chegar lá. É uma falácia. A grande maioria vai bancar esta conta. Para quem está em cima ganhar, os que estão embaixo – muitos - tem que perder.



EXAME.com - Como a pessoa pode se precaver contra esse esquema ilegal de ganhar dinheiro?

Mariane - O consumidor tem que ficar atento para não aceitar proposta de ganhos fáceis e rápidos. É interessante que, antes de adquirir pacotes, ele procure os Procons e o MP. Nós ainda temos condições de prevenir. Depois que ele está dentro, se a empresa quebrar, não vai receber nunca. Se tiver bloqueio, conseguimos devolver a quantidade bloqueada, o que nem sempre é 100% do que o consumidor investiu.


EXAME.com - Que tipos de documentos precisam ser guardados?

Mariane - Todos os comprovantes, depósitos feitos, e-mails trocados, cópia de cheques, recibos e contratos. Num momento oportuno, esses consumidores vão precisar juntar os autos dessa documentação para poder pegar o dinheiro de volta. Só será possível na medida do que a pessoa investiu, não dos lucros prometidos.

EXAME.com - Quais as maiores evidências de que uma empresa pratica pirâmide?

Mariane - Primeira delas: uma empresa seria de marketing multinível não promete enriquecer pessoas do dia para o outro. Quando se oferece a chance da pessoa triplicar o capital em um ou dois meses, a chance de ser pirâmide é muito grande. A empresa de marketing multinível séria ganha dinheiro tanto com recrutamento de vendedores quanto com a venda de produtos. Mas nestas, o foco é o produto. Ela treina seus vendedores para que conheçam profundamente o produto que vendem. Há um investimento grande no produto em si, que está sendo sempre melhorado. Na pirâmide, o produto é o menos importante. O vendedor é treinado para dizer o quanto uma pessoa vai ganhar se entrar no esquema.

EXAME.com - Os casos que já foram acionados pelo MP, BBom e TelexFREE, se encaixam nesse perfil?

Mariane - No caso do TelexFREE, muitos divulgadores nem sabem para que serve o VOIP (serviço de telefonia via internet oferecido pela empresa), e quem sabe também sabe que você consegue aplicativos de graça na internet, enquanto eles cobram 50 dólares. O produto é pouco competitivo, pouco atraente, porque não é o foco da empresa. No caso da BBom, os rastreadores eram oferecidos por 80 reais por mês. Só que, além disso, era preciso pagar adesão de 60 reais e um plano que ia de 600 a 3 mil reais. No site Reclame Aqui, localizamos 1,2 mil pessoas que se associaram e não adquiriram os rastreadores. O patrimônio da BBom cresceu mais de 3 mil por cento em menos de seis meses, foi de 100 mil para 300 milhões. Um crescimento exponencial para um produto não competitivo.

EXAME.com - As penas para quem pratica pirâmide financeira são suficientes hoje?

Mariane - A pena é muito baixa. Nós da força tarefa do MP queremos sensibilizar o poder Legislativo para que ele as reveja para cima. A pena hoje é de seis meses a dois anos de prisão pelo Código Penal, muito pequena para a gravidade do crime. No âmbito cível, a gente pode fechar as empresas e bloquear os bens.

EXAME.com - Se depender do Ministério Público, como acaba essa história no Brasil?

Mariane - Nos EUA, por volta de 1999, existiu uma quantidade muito grande de pirâmides, com mais de 600 casos. E lá houve também um recrudescimento, um combate muito sério pelo MP americano e judiciário. Nossa esperança com a força-tarefa e a divulgação por parte da imprensa é que haja conscientização social para que o consumidor aprenda a distinguir o joio do trigo. Quando os golpistas perceberem que não há retorno no mercado, a tendência é desistir disso. A ideia da força-tarefa é, através da legislação, fazer com que o Brasil não seja mais atraente, tal qual aconteceu nos EUA, onde 90% das empresas atuam com marketing multinível. Aqui, são só 10%. Só que lá tem uma associação que fiscaliza, enquanto aqui estamos engatinhando neste tipo de trabalho. O Brasil ainda está aprendendo a operar empresas multinível. E esta pirâmide acaba atrapalhando as que são sérias. 





Fonte: Revista Exame
A farsa dos jogos lotéricos. Esquema financeiro para lavagem de dinheiro sujo! Isso é pirâmide financeira!


   "Foram constatados que em algumas loterias, bandidos estavam trocando dinheiro por bilhetes premiados. Parece que alguns ganhadores de loteria seja simplesmente um jeito de lavar dinheiro.
   Um relatório apresentado ao senado, aponta 75 sortudos habituais. Um trio deles por exemplo, acertou 525 vezes. As investigações conselho de atividades financeiras - COAF - começaram a oito anos. O senador tucano Álvaro Dias teve acesso aos documentos da investigação sigilosa, e com base neles, denuncia o suposto esquema de compra de bilhetes premiados. Ainda, segundo o senador, a movimentação de dinheiro chegaria a 32 milhões de reais. 
   No esquema denunciado pelo senador, os bandidos contariam com ajuda de funcionários da caixa econômica federal e donos de lotéricas. Eles pagavam os prêmios aos apostadores sorteados usando o dinheiro sujo, e retinham os bilhetes sorteados. Esse bilhetes seriam entregues aos bandidos, que se apresentavam como os verdadeiros ganhadores. Sacavam os prêmios, e o dinheiro sujo poderiam ser legalmente declarado a receita federal. Alguns casos chamaram a atenção: Três irmãos se apresentaram como ganhadores de 525 prêmios de loterias diferentes, num total de três milhões e oitocentos mil reais. Pai e filho levaram 330 prêmios, que renderam mais de um milhão e oitocentos mil reais. Outros três irmãos teriam sido sorteados 148 vezes e levaram para casa oitocentos e vinte mil reais.
   Em nota a caixa econômica federal disse que cumpre rigorosamente as determinações do COAF, e que o descredenciamento de lotéricas envolvidas em irregularidades reduziu as ocorrências nos últimos quatro anos.
   Repórter Júlio Mosqueira - "O senador Álvaro Dias, apresentou um pedido para que o tribunal de contas da união faça auditorias nas loterias da caixa e quer criar uma lei determinando que o ganhador que for sacar mais de dez prêmios ao mesmo tempo, só leve o dinheiro, se não tiver antecedentes criminais."
   Senador Álvaro Dias - PSDB - PR - "Nós estamos pedindo também, quando há ocorrência de vários prêmios para a mesma pessoa, que a caixa econômica realize uma auditoria interna, para verificar a razão disso."
   Repórter Júlio Mosqueira - "Sorte em excesso, faz lembrar o caso do ex-deputado federal João Alves, que renunciou ao mandato em 1994. Ele foi acusado de ser um dos líderes da marcha do orçamento, que desviou dinheiro público. João Alves também usou as loterias para lavar dinheiro. Com apostas milionárias, as vezes maiores que o prêmio, ganhou mais de duzentas vezes. Morto em 2004, João Alves, nunca foi preso. Apresentava-se como um homem ajudado pelo céus."
   João Alves - Arquivo JG - 23/10/1993 - "Eu ganho quase toda semana! Eles ficam me criticando. Eu digo que é Deus que me ajuda, e é Deus mesmo que me ajuda!"

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