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Kombi sai de linha após 56 anos de história pelo mundo.

Kombi sai de linha após 56 anos de história pelo mundo.

O primeiro dia útil de 2014 chegou com uma sensação estranha na planta da Volkswagen em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Pela primeira vez em 56 anos, nenhuma Kombi é fabricada no local. As resoluções 311 e 312 do Contran exigem airbag duplo e freios com ABS em 100% dos veículos produzidos no Brasil a partir de 1º de janeiro deste ano. Por não possuir os itens, o modelo não pode mais ser fabricado. Agora resta a lembrança de admiradores e o lamento de frotistas: não há sucessor do veículo no país.
O fim da Kombi começou em agosto de 2013 e foi marcado por muita polêmica no mês passado. A Volkswagen programou uma despedida especial, com direito a uma série limitada, a Last Edition, evento na fábrica, hotsite com histórias dos fãs e campanha de marketing com os últimos desejos da Kombi.
A Kombi Last Edition foi lançada com apenas 600 unidades, com pintura retrô azul saia e blusa, bancos de vinil, cortinas, acabamento luxo e plaquetas numeradas no painel. Tudo isso com o preço salgado de R$ 85 mil. O alto valor não assustou colecionadores e logo a Volkswagen teve que dobrar a série para 1200 unidades.

"Quando anunciamos a Last Editon foi um fenômeno mundial. Tivemos pedidos dos cinco continentes. No início acreditamos que 600 seriam suficientes, tivemos que dobrar e ainda temos demanda para muito mais. Isso justifica o preço mais alto que a versão branca; temos mais de 5 mil interessados. Mas, além disso, se você ver o equipamento e o amor que colocamos, justifica o valor", afirma Jochen Funk, diretor da Volkswagen.

Show de trapalhadas

Tudo caminhava para uma despedida solene, à altura da história do modelo, quando o governo federal quase cometeu uma trapalhada na legislação de trânsito. Por pressão de metalúgicos do ABC Paulista e pelo medo de uma queda na venda por conta do aumento no preço dos carros, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, cogitou adiar a exigência de airbag e ABS por dois anos.

Veja fotos do encontro de Kombis em São Paulo

A polêmica durou uma semana e uma decisão favorável poderia dar sobrevida a Kombi, Gol G4 e Mille. A Fiat chegou a adiar o lançamento da edição de despedida do compacto, o Grazie Mille. No final, o bom senso prevaleceu e a exigência dos itens de segurança foi mantida; a indústria já tinha ganhado cinco anos para se adequar e o prazo não seria estendido.

Para a Kombi, porém, representou o fim de uma era. A Volkswagen não possui substituto para o modelo. Na Europa, existe o Transporter T5, uma espécie de tetraneta da Kombi, mas que chegaria com preço muito alto no Brasil. Sem o veículo, modelos como a minivan CN Auto Topic e outras chinesas podem ser a solução para transportar mais de 7 pessoas. Para cargas, as opções ficam com Fiat Fiorino, Dòblo Cargo, Peugeot Partner e Renault Kangoo.

Homenagens

Em 19 de dezembro, um grupo de operários da VW postou nas redes sociais fotos do que seria a verdadeira última Kombi fabricada no mundo. Colecionadores comentam que a unidade standard custará muito mais que as séries limitadas. Um outro modelo recebeu uma plotagem na lateral, no estilo saia e blusa, com fotos de todos os trabalhadores da linha de montagem da Kombi. 


Segundo a montadora, foi um evento informal organizado pelos próprios metalúrgicos. A empresa entrou em férias coletivas em 20 de dezembro e a produção só volta na próxima semana. Dessa forma, os últimos dias permitidos para fabricação da Kombi ‘não foram aproveitados’. As fabricantes têm até 31 de março para vender as unidades que sobraram ano 2013.

Encontro de Kombi nos Estados Unidos e Alemanha 

Além da Last Edition, a Volks realizou os quinze últimos desejos da Kombi, das centenas de histórias enviadas no hotsite. Vídeos e fotos contam algumas dessas aventuras, como o Carlos Alberto de Valentim, que viajou a três Copas do Mundo de Kombi para ver a Seleção. Os escolhidos ganharam ainda brindes do modelo.
O penúltimo desejo do carro foi um encontro com fãs, realizado na fábrica da VW na Rodovia Anchieta em 8 de dezembro. Mais de 170 veículos foram expostos, atraindo milhares de pessoas. O evento foi organizado pelo Sampa Kombi Clube e também chamou atenção da imprensa internacional. "A Kombi foi o carro que construiu o Brasil. Durante trinta anos, ela reinou absoluta como único veículo pequeno e médio para transporte de cargas e pessoas”, afirma Eduardo Gedrait, presidente do clube.

O modelo mais antigo em exibição foi uma unidade azul 1950, importada da Alemanha, da primeira versão comercializada. O destaque também ficou por conta de um modelo Westfalia 1971 dos Estados Unidos. David Paton deixou a California para dar uma volta no mundo no carro aproveitou a passagem pela cidade para participar do encontro.


Colecionadores de Belo Horizonte também ficaram marcados com o fim de produção do veículo e se uniram para criar um encontro na capital. O Clube da Kombi Belo Horizonte foi fundado em dezembro e já congrega 15 veículos. “ A notícia do fim da produção mexeu um pouco com o pessoal e o utilitário passou a ser mais frequente. Com isso, juntamos e resolvemos criar o clube da Kombi”, conta o presidente Amauri Lúcio de Oliveira, que também dirige o clube do Fusca.


Veja fotos do Clube da Kombi em Belo Horizonte!


O grupo que integra o Clube da Kombi é bem heterogeneo e reúne desde admiradores que possuem o veículo apenas para passeio no fim de semana até quem depende do carro para o trabalho. "Tudo que meu pai conseguiu, como casa e criar os filhos, foi através dela”, afirma o microempresário Igor Scalzo, dono de um modelo 1974.

Na Alemanha, o Fusca e a Kombi foram os destaques de uma exposição em homenagem ao Brasil no museu da Volkswagen, em Wolfsburg. A mostra "60 anos da Volkswagen do Brasil" exibiu  os modelos e tecnologias desenvolvidos pela subsidiária da marca alemã desde 1953. Uma Kombi Last Edition 2013 estava em destaque no local.

Na Alemanha, os modelos chamam-se Käfer (besouro) e Bulli. "Era assim que os "carros dos sonhos" dos brasileiros eram chamados nos anos 50. Neste quesito, eles tinham uma paixão em comum com os alemães", diz o site oficial do museu.



Fonte: Vrum

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